🟡 Amuletos/talismãs de proteção, presentes na religiosidade afro-brasileira e popular. 🟠 Elaboração e cruzamento dependem da entidade incorporada.
O ditado popular
“Quem não pode com mandinga, não carrega patuá.”
Muita gente usa a expressão como sinônimo de “quem não tem competência, não se estabelece”. Mas a raiz é outra, e envolve a Mandinga (nação africana do norte, islamizada).
A origem da expressão
- Os mandingas (muçulmanos) sabiam ler/escrever em árabe e tinham cultura superior — o que os tornava temidos como “feiticeiros”.
- Daí “mandinga” virou sinônimo de “feitiço”.
- Os mandingas tinham aversão a quem não cultuava Alá; os negros que cultuavam Orixás eram “infiéis” para eles.
- Os senhores brancos exploravam essa rivalidade, confiando aos mandingas as funções superiores (caçadores de escravos fujões, os “capitães-do-mato”).
- O mandinga tinha permissão de portar trechos do Alcorão em invólucro de pele ao pescoço (o patuá).
O escravo fugitivo, para não ser perseguido, deixava o cabelo crespo (parecer mandinga) e usava um patuá — mas, se não soubesse responder em árabe, sofria a fúria do mandinga. Daí: “quem não pode com mandinga, não carrega patuá.”
O que é o patuá
- Objeto consagrado que traz o axé (força mágica) do Orixá, santo ou guia a que é consagrado.
- Antecedente católico: os relicários (fragmentos de santos, terra da Terra Santa) — de relicare = “religar”, origem de “relíquia”.
- Com o tempo, a Igreja substituiu o patuá (com trechos do Alcorão) pelos breves e bentinhos com orações católicas, medalhas e o Agnus Dei (medalha de coração bipartida com Jesus e Maria).
Ingredientes comuns de um patuá
- Figas de Guiné
- Cavalos-marinhos
- Olhos de lobo (raros/caros)
- Estrela da Guia
- Cruz de Caravaca
- Couro/pelos de lobo
- Santo Antônio de Guiné
- Imagens de Exu e Pomba-Gira de Guiné
- Pontos, orações, sementes variadas, ímãs
🟠 Esses objetos não têm valor se não forem preparados pelas entidades incorporadas — só elas dão o “axé” do patuá.
Modo de preparar
- A pessoa reúne os ingredientes pedidos pela entidade e leva ao Templo.
- Durante os pontos de chamada/defumação, os objetos são defumados.
- Com a entidade incorporada, apresenta-se os objetos para a benção (cruzamento).
- Leva-se nome completo, data de nascimento, e, se possível, o Orixá regente.
- A entidade cruza os objetos na ordem pedida.
- Os objetos são encerrados num pequeno saquinho e entregues.
- A pessoa o pega com a mão direita, leva à altura do coração — e, se possível, transporta-o sempre junto ao peito.
Patuás de Exu
- Para quem se acredita “muito exposto” a influências negativas, busca-se proteção de Exus e Pombagiras (patuás consagrados por elas).
- É comum buscar esses patuás em negócios amorosos e comerciais — mesmo quando não são “legais” (a fonte alerta para essa prática).
Observações e etiquetas
| Conceito | Etiqueta |
|---|---|
| Patuá = talismã de proteção | 🟡 |
| Origem mandinga (Alcorão) | 🟡 |
| Cruzamento pela entidade | 🟠 |
| Patuás de Exu | 🟠 |
Ver também: Guias, Fumo e Curiadores