🟢 Estrutura ritual geral da abertura e encerramento de uma gira. 🟡 Detalhes (cânticos, ordem, defumação) variam entre casas.
Preparação dos Filhos de Fé
Ao deixar os vestiários, os médiuns dirigem-se ao terreiro em silêncio, afastando pensamentos profanos:
- Ao cruzar a soleira: tocam o chão três vezes com a mão direita (tocando o joelho no solo) — ato de humildade que reconhece estar pisando solo sagrado.
- Diante do Congá: prostram-se diante da imagem de Oxalá, tocam o solo com a testa (reconhecimento da dependência divina), mãos com as palmas para cima.
- De joelhos: cruzam o chão três vezes, repetindo mentalmente: “Por Olorum, por Oxalá e por Ifá” (a Tríade Divina).
- Saudação ao Pai/Mãe Espiritual, se presente — e recolhimento no lugar designado.
O silêncio entre os médiuns deve ser absoluto; um aparelho de som pode tocar músicas que predisponham à meditação.
O que é a Engira
Fazem parte da Engira: médiuns, cambonos, ogãs, o Pai/Mãe Espiritual e auxiliares. Os frequentadores que não participam da engira são a assistência.
Abertura (pontos iniciais)
- O Pai/Mãe Espiritual entoa o ponto de Abertura da Jurema (pedindo licença de Oxum e Oxalá).
- Enquanto canta, descerra-se a cortina que oculta o Congá (e as que separam médiuns e assistência).
- Canta-se o ponto de “Bater Cabeça” — para que todos saudam o Congá.
- O Pai/Mãe Espiritual prostra-se, em prece, pedindo a proteção do povo da rua/esquerda para a segurança do trabalho.
⚠️ “Não se canta para Exu na abertura de trabalho.” — é o entendimento desta tradição (ver nota abaixo).
Defumação
- Canta-se o ponto da defumação (“Defuma com as ervas da Jurema…”).
- Defuma-se primeiro o Congá (geralmente pelo Pai/Mãe Pequena ou um Ogã), depois os médiuns, depois a assistência.
- O turíbulo é entregue ao Pai/Mãe Espiritual no início do cântico.
Prece de abertura
Após a defumação, faz-se a prece de abertura — pode ser improvisada, decorada ou lida (como a Prece de Cáritas).
Depois, o Pai/Mãe Espiritual designa a linha de trabalho a ser motivada, e iniciam-se os cânticos destinados às entidades.
Encerramento
Ao fim dos trabalhos (após desincorporação e agradecimentos), a gira é encerrada com prece e pontos de despedida.
Notas importantes (desta tradição)
Por que não cantar para Exu na abertura?
Esse hábito, enraizado em muitos terreiros, vem da prática candomblecista, que teme o Egun (espírito dos mortos) e pede a Exu que o impeça.
Na Umbanda desta tradição, porém, motiva-se o Egun: o Caboclo é um Egun, o Preto-Velho é um Egun, a Criança é um Egun — todo aquele que já teve existência terrena é um Egun. Logo, não faria sentido invocar Exu para afastar o que se cultua.
🟡 Essa é uma posição doutrinária específica (FUGABC); outras casas cantam para Exu na abertura. Tratar como variação, não regra.
Separação de homens e mulheres
- Por moral e para evitar interpretações maldosas, costuma-se separar: homens à direita, mulheres à esquerda (de quem olha o Congá).
- Nada impede mudar a ordem; trata-se de praxe, não de doutrina.
Observações e etiquetas
| Conceito | Etiqueta |
|---|---|
| Estrutura geral da gira | 🟢 |
| Pontos específicos (Abertura da Jurema, Bater Cabeça) | 🟡 |
| Não cantar para Exu na abertura | 🟡 |
| Separação por sexo | 🟡 |
Ver também: A Gira, Comportamento dos Médiuns