Umbanda
Intermediário

Abertura e Encerramento da Engira (Gira)

🟢 Amplamente compartilhadoPresente na grande maioria das tradições umbandistas, independente de escola ou região.🟡 Depende da tradição/escolaComum em determinadas vertentes (Umbanda Branca, Omolokô, Sagrada…), mas não universal.

🟢 Estrutura ritual geral da abertura e encerramento de uma gira. 🟡 Detalhes (cânticos, ordem, defumação) variam entre casas.


Preparação dos Filhos de Fé

Ao deixar os vestiários, os médiuns dirigem-se ao terreiro em silêncio, afastando pensamentos profanos:

  1. Ao cruzar a soleira: tocam o chão três vezes com a mão direita (tocando o joelho no solo) — ato de humildade que reconhece estar pisando solo sagrado.
  2. Diante do Congá: prostram-se diante da imagem de Oxalá, tocam o solo com a testa (reconhecimento da dependência divina), mãos com as palmas para cima.
  3. De joelhos: cruzam o chão três vezes, repetindo mentalmente: “Por Olorum, por Oxalá e por Ifá” (a Tríade Divina).
  4. Saudação ao Pai/Mãe Espiritual, se presente — e recolhimento no lugar designado.

O silêncio entre os médiuns deve ser absoluto; um aparelho de som pode tocar músicas que predisponham à meditação.


O que é a Engira

Fazem parte da Engira: médiuns, cambonos, ogãs, o Pai/Mãe Espiritual e auxiliares. Os frequentadores que não participam da engira são a assistência.


Abertura (pontos iniciais)

  1. O Pai/Mãe Espiritual entoa o ponto de Abertura da Jurema (pedindo licença de Oxum e Oxalá).
  2. Enquanto canta, descerra-se a cortina que oculta o Congá (e as que separam médiuns e assistência).
  3. Canta-se o ponto de “Bater Cabeça” — para que todos saudam o Congá.
  4. O Pai/Mãe Espiritual prostra-se, em prece, pedindo a proteção do povo da rua/esquerda para a segurança do trabalho.

⚠️ “Não se canta para Exu na abertura de trabalho.” — é o entendimento desta tradição (ver nota abaixo).


Defumação

  • Canta-se o ponto da defumação (“Defuma com as ervas da Jurema…”).
  • Defuma-se primeiro o Congá (geralmente pelo Pai/Mãe Pequena ou um Ogã), depois os médiuns, depois a assistência.
  • O turíbulo é entregue ao Pai/Mãe Espiritual no início do cântico.

Prece de abertura

Após a defumação, faz-se a prece de abertura — pode ser improvisada, decorada ou lida (como a Prece de Cáritas).

Depois, o Pai/Mãe Espiritual designa a linha de trabalho a ser motivada, e iniciam-se os cânticos destinados às entidades.


Encerramento

Ao fim dos trabalhos (após desincorporação e agradecimentos), a gira é encerrada com prece e pontos de despedida.


Notas importantes (desta tradição)

Por que não cantar para Exu na abertura?

Esse hábito, enraizado em muitos terreiros, vem da prática candomblecista, que teme o Egun (espírito dos mortos) e pede a Exu que o impeça.

Na Umbanda desta tradição, porém, motiva-se o Egun: o Caboclo é um Egun, o Preto-Velho é um Egun, a Criança é um Egun — todo aquele que já teve existência terrena é um Egun. Logo, não faria sentido invocar Exu para afastar o que se cultua.

🟡 Essa é uma posição doutrinária específica (FUGABC); outras casas cantam para Exu na abertura. Tratar como variação, não regra.

Separação de homens e mulheres

  • Por moral e para evitar interpretações maldosas, costuma-se separar: homens à direita, mulheres à esquerda (de quem olha o Congá).
  • Nada impede mudar a ordem; trata-se de praxe, não de doutrina.

Observações e etiquetas

Conceito Etiqueta
Estrutura geral da gira 🟢
Pontos específicos (Abertura da Jurema, Bater Cabeça) 🟡
Não cantar para Exu na abertura 🟡
Separação por sexo 🟡

Ver também: A Gira, Comportamento dos Médiuns