🔵 Matriz africana (iorubá/jêje). Omolu, o deus da varíola e, por extensão, de todas as doenças — e o médico dos pobres. 🟡 Sincretismo: São Lázaro / São Roque / São Sebastião (varia por qualidade e região).
O Deus da Doença e da Cura
Segundo Edison Carneiro (Os Candomblés da Bahia), Omolu é o deus da varíola e, por extensão, de todas as moléstias. Mas sua simbologia é muito mais profunda do que “Orixá da doença”:
doença → transformação → cura → renascimento
- Insígnia: um feixe de palhas cercado de búzios — o xaxará.
- Veste: um capuz de palha da costa (filá) que cai até os ombros e oculta o rosto.
- Alimentos: bode, porco, galo, conquém, pipocas.
- Cores: vermelho e preto.
- Festa: 16 de agosto.
- Popularidade: muito popular — o médico dos pobres.
As duas qualidades de Omolu
| Qualidade | Aspecto | Forma |
|---|---|---|
| Omolu | Velho, decrépito, retorcendo-se de dor, movimentos tardios | ancianidade, paciência |
| Obaluaiê | Moço, forte | vigor, renovação |
- Omolu (velho) → São Lázaro (ou São Bento).
- Obaluaiê (moço) → São Roque (ou São Sebastião).
Essa dualidade (velho/moço) espelha o ciclo da doença e da cura: a dor que consome e a força que se renova.
O que o itan ensina
- Omolu representa a transformação — a morte simbólica de um estado e o renascimento em outro.
- A doença, nele, não é castigo: é passagem, etapa de um ciclo.
- O xaxará e o capuz de palha cobrem o rosto: o mistério da passagem e da terra.
- A associação com o cemitério (Calunga Pequena) vem dessa ligação com a terra e a transformação.
Observações e etiquetas
| Conceito | Etiqueta |
|---|---|
| Omolu como deus da varíola/cura | 🔵 |
| Qualidades (Omolu × Obaluaiê) | 🟡 |
| Sincretismo (São Lázaro/Roque/Sebastião) | 🔴 |
| Cemitério/Calunga | 🟠 |
Ver também: Obaluae Omolu