Umbanda
Intermediário

As Primeiras Tendas e as Sete Linhas

🟢 Amplamente compartilhadoPresente na grande maioria das tradições umbandistas, independente de escola ou região.🟡 Depende da tradição/escolaComum em determinadas vertentes (Umbanda Branca, Omolokô, Sagrada…), mas não universal.

🟢 História institucional — as primeiras casas e a sistematização das “sete linhas”. 🟡 A teoria das 7 linhas e das cores é a sistematização atribuída a Zélio; varia entre escolas.


A expansão a partir da Tenda da Piedade

A Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade tornou-se conhecida como local de curas e fatos extraordinários, atraindo um número crescente de adeptos. Sob inspiração do Caboclo das Sete Encruzilhadas, Zélio preparou médiuns para levar adiante o trabalho:

Zélio chegou a financiar aluguéis e a ser fiador dos imóveis das novas tendas, até que elas pudessem se sustentar com a contribuição dos próprios médiuns.


As primeiras tendas (em ordem)

Ordem Tenda
Tenda do Senhor do Bonfim
Tenda de Umbanda Santa Bárbara
Tenda de Umbanda São Cosme e São Damião
Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Conceição
Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Glória
Tenda Nossa Senhora dos Navegantes
Tenda de Umbanda São Sebastião
Tenda de Umbanda São Jorge
Tenda de Umbanda São Jerônimo
10º Tenda de Umbanda Sant’Ana
11º Tenda de São Lázaro

Por que nomes de santos católicos?

Inquirido sobre o porquê de todas levarem nomes de santos católicos, Zélio teria esclarecido:

Sua formação era exclusivamente católica; o culto umbandista fora iniciado por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e ele quase nada conhecia do africanismo naquela época.

Primeiro o nome do santo (que lhe era familiar) — e, aos poucos, o conteúdo africanista foi se instalando, sobretudo por influência dos Pretos-Velhos e Caboclos incorporados (manifestos por médiuns negros que enriqueceram o ritual), e não apenas pela presença física de negros.


A caridade desde o berço

Zélio proibia qualquer cobrança por trabalhos espirituais. As despesas eram cobertas pela cotização entre médiuns e adeptos, ou por doações eventuais.


As Sete Linhas e suas cores

A tradição atribui a Zélio a sistematização de que das tendas nasceriam as Sete Linhas da Umbanda, associadas a cores:

Cor Linha / Santo Sentido
Amarelo Santa Bárbara (encantados) espíritos puros que nunca tiveram existência carnal
Rosa São Cosme e Damião (erês) espíritos de crianças, ainda aprendizes
Azul N. Sra. da Glória / Navegantes / Iemanjá a vida gerada nas águas; fecundação, maternidade
Verde São Sebastião (Caboclos) a mata, o índio, o idealismo, o altruísmo
Vermelho São Jorge (Ogum) a força que garante a Lei; espíritos de militares
Marrom São Jerônimo / Moisés (Xangô) a justiça; o homem em plena maturidade
Roxo/Violeta Sant’Ana (nanã/velhos) a velhice, a proximidade do fim
Preto São Lázaro (Omulu) a ausência de cor e de luz

As duas “não-cores”

Segundo a tradição de Zélio:

  • Branco = a presença da luz (soma de todas as cores); a Linha de Oxalá (sem incorporação); existe em todas as linhas.
  • Preto = a ausência da luz — portanto, está na falta dela, não como uma “oitava linha”.

🟡 Essa sistematização de cores/linhas é própria da tradição de Zélio (Umbanda dita “branca”) e não é universal — outras escolas organizam as linhas de modo diverso (ver Vertentes e As Sete Linhas).


Observações e etiquetas

Conceito Etiqueta
Zélio e as 11 primeiras tendas 🟢
Caridade sem cobrança 🟢
As 7 linhas e cores (tradição Zélio) 🟡
Branco/preto como não-cores 🟡

Ver também: Zélio Fernandino de Moraes, Vertentes